30 de setembro de 2008

Aprendendo a dizer não

Estranho isso de ser vidraça, pronta pra receber as pedras de sei lá quem. Tamanha exposição da minha própria diversão se transforma em armas contra mim mesma. Não faço por dinheiro, não consigo. O porquê da ação tem de vir de dentro, por outra motivação que não a simples ambição. Por que, meu Deus, por que fui prometer o que não posso nem quero cumprir? Fracasso, atestado de incompetência. Assinei e pronto. Não faço. Por dinheiro, tão somente, não tenho coragem nem forças. O que me move é a paixão e não morro de amores pelo termo circunstanciado. Nem pela "fabulosa" quantia que receberia por falar disso.
Sinto-me autorizada pelo Universo a dizer, finalmente: não.
Alívio.

25 de setembro de 2008

Not supposed to happen

I saw you
I kissed you
touched in every part I wanted
it lasted some hours long
and was so very fucking good
kiss, touch, smell and everything
but we weren't introduced
nothing but names
and the city where you come from
nothing else

So why, oh why did you fucking find out who I am?
Why did you fucking reach me
it was not supposed to happen
at all

23 de setembro de 2008

Tintas rosas sobre corpo nu

Ela pega as coisa que a gente fala e transforma em coisa bunita

Mas ela sente inveja da moça bonita da saia rodada
tão cheia de si e valente
impositiva

Minh'alma é mais transparente
mas cheia de quereres
sou uma ameaça

Sem moral, porque não existe moral
e até descobrir o que há
observarei

E me espalharei em todos os champanhes
Farei justiça com a mãos
Lambendo cabeças

17 de setembro de 2008

Auto (emo) terapia

Não sinto mais nada
nem dor, nem saudades
raiva, tristeza ou rancor

Tudo menos a garota
vem direto no calcanhar
e sob tortura, confesso

Perdoar é doce lição
que apreendi menina:
há de ser espontânea

Sangue não ferve
mas ganha velocidade
e entrega o fracasso

Vazia como um pote
dura como madeira
leve como poeira

Imagética.

1 de setembro de 2008

Visceral

Sou pequena
Voyeur que se mete na vida alheia
Alegando razões profissionais

Sou grande
Jamais abandonaria a poesia do trabalho
Pela escrivinhatura pura e simples

Anti-ética
nada profissional
sem graça e noção

Tranquila
Carinhosa e amorosa
Em paz

Troco as anfetaminas pelo ronrom