13 de maio de 2008

A moça da blusa amarela

Ela vendia camisetas. Estavam todas espalhadas sobre a mesa da lanchonete. Camisas masculinas, xadrezes, listradas, lisas. Um moleton da Adidas, branco em detalhes rosa.

Usava blusa amarela e era bonita. Alegre, comunicativa e atenciosa, ofereceu o número do celular aos clientes.

Alguém falou em noivo, marido ou casamento.

_ Com esse, eu já casei logo. Vai que matam ele?

Que idéia estranha, essa urgência. Caras de interrogação se entreolharam até que...



Manchetes de jornal, imagens da quadra na televisão. Um professor de educação física foi assassinado, na frente dos alunos, em Biguaçu.

O crime teria ocorrido por ciúme.

_ Esse cara era muito ciumento. Aí, um dia, essa guria sentou do lado do meu namorado e o outro chegou. Meu namorado disse pra ele não incomodar, que ela tava trabalhando. Não teve nem tempo de se virar. Atiraram nas costas dele, cinco vezes com uma nove milímetros.

A moça bonita, da blusa amarela, lembrou dos exatos 57 dias que os dois namoraram. E que, dia 27 de junho, faz um ano que ele morreu.


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