Carta a um estranho
Minha vida costuma ser boa. Tenho meus dissabores, minhas alegrias, risadas, lamentações, pequenas iras e muito bom humor perante os fatos. No entanto, a simples menção ao seu nome consegue me aborrecer. A maioria das vezes, por uns segundos, apenas. Hoje, foram horas. Azedou meu humor para o resto do dia.
Não foi uma simples menção ao nome. Você me mandou uma mensagem. Uma música. De um tempo bom, feliz, amoroso. Agiu como o colunista medíocre, que publica a foto de uma gostosa de biquini, no dia seguinte à sua morte. Carbonizada dentro do carro. Em frente ao Centrosul. Nas primeiras horas da manhã. Com aquela luz incrível do alvorecer.

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