Cidade dos mortos - III
Esta noite sonhei que morri. Estava em uma outra dimensão, realidade ou sei lá, mas eu existia e não estava só. Apenas ressentia o fato de não estar mais viva. Poxa, havia deixado tarefas a cumprir, coisas a dizer para pessoas que nem sei quem são ou o que eu lhes diria. Era apenas uma sensação ruim de: putz, acabou, que pena. E, no entanto, eu existia. Estava em uma outra realidade, conversava, via o ambiente, do qual não me lembro. Quando estava prestes a acordar, me dei conta de que não havia morrido e senti um alívio, ainda tinha chance de fazer o que lamentava não ter feito. Que, na vida desperta, não sei o que é.
Não é comum eu sonhar assim, que morri. Faz muito sentido pela minha condição atual. Mudanças internas se refletiram no exterior e agora também no espírito. Alguma Lili morreu e outra tomou seu lugar. Melhor, claro! Sempre é. Mas o que será que deixei pra trás e ganhei uma segunda chance de recuperar? Procuro expressar o máximo do que sinto para me compreender - por isso estou escrevendo assim hoje, como a um diário - e não me lembro de ter nada mal resolvido.
Bueno, lo que sea...




