7 de novembro de 2006

Como não rir?

A primeira linha foi na companhia dela, cabelos cacheados, rosto angelical, conversa suave. Experiências comuns, empatia. Pena que é a viagem mais curta.
Corro para alcançar o Direto, o segundo da noite, e consigo um ótimo assento, ao lado dos preferenciais, parte da frente do veículo, próximo ao motorista, um degrauzinho ao chão no tamanho exato para se acomodar as pernas. Super confortável. (não sei porque se incomodam tanto por eu me ajoelhar para atender o telefone e fazer anotações apoiadas na mesa; é tão confortável quanto a poltrona)
Penso em emoções, sensações incontroláveis, desejos. Também lembro da pressão, de uma suave levantada de véu, que exalou verdades não tão agradáveis. Mas sempre tem alguém pra servir de anjo, e surgiram de todos os lados. Obrigada!
22h57min, perfeito, daqui a pouco tem o Gramal. E esse povo todo esperando sentado? Mudaram o horário de novo e pro meu azar, só teria outro dali a uns 20min. Vento, forte e típico. Ainda bem que não sinto o frio, só o incômodo. Ignoro a fila e entro, fui a primeira a ficar de pé ao poste. Sento no primeiro banco em frente ao cobrador, como gosto, pra apoiar os pés e não ver ninguém. Choro, de alívio, mas logo paro. No meio do trajeto, um sujeito bonachão vestido pronto para o Reveillon, falando enrolado, faz o motorista se demorar numa parada. Ele sobe, receio ser um bêbado chato. E era. E foi a alegria da noite! Espanhol de Madrid, precisava chegar ao Hotel. Assumidamente borracho, disse que caminaba, caminaba y si perdió... Me preguntó si yo hablaba español, lo que respondi que no.

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