Cidade dos mortos - II
As crianças seguem morrendo enquanto editores de jornais acham mais importante reclamar do atraso de aviões.
Sol forte, meninas andam nas ruas poeirentas vestidas de biquinis e maiôs. Com o dedo na boca e cabelo desgrenhado, uma delas pára e vê uma fila enorme de carros, dois da imprensa, homens com os filhos na garupa de bicicletas, outros à pé e muitos, quase uma centena de pessoas descendo de um ônibus. Roupas simples, algumas com uma peça preta, a dor e a revolta na tensão dos rostos, contorcidos. A senhora desfalecendo é a expressão do absurdo da situação, o não natural, a mãe enterra a filha. Indignação. Três crianças atropeladas na mesma avenida em três dias.

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