O frio e o calor
Sentada em frente ao desembarque de passageiros das linhas integradas, num banco da plataforma B, olhando ônibus pararem descarregando anônimos e seguindo viagem. Um senhor de uns 60 anos assovia uma alegre música de carnaval, constrastando com o vento gélido invernal e pessoas apressadas, encolhidas. Seguro a primeira edição do hora, saída do forno, por 25 centavos, chute na canela da concorrência. Desleal. Lançado pela mesma empresa que comprou recentemente a notícia, como se bom jornalismo pudesse ser "anexado" ao grupo. Não sinto minhas orelhas e minha barriga dói há três dias. Maldita lactase que me falta. Quero ir pra casa, mas permaneço ali, olhando, procurando. E nada. Penso que me esqueceram ou que houve um desencontro. Quase me levanto e pego o segundo dos três coletivos que me conduzem pra casa. Até que vejo o corredor sudoeste, talvez o décimo desde o momento que cheguei. Esqueço tudo e nada mais vejo, além de uma blusa familiar e um gorro de tecneiro. Quente, bem quente.

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