Balão da baleia
Esperei a fome bater e meu chefe de reportagem voltar para descer e almoçar. Segurei até o último ronco. Agora vai. Nada! Baleia prestes a encalhar nos Ingleses, vai lá. Coitado do fotógrafo tava na mesma situação. Fomos os dois de barriga vazia, mas tudo bem. Nunca vi uma baleia, esperava ansiosamente o encontro, a magnanimidade daquele ser, tão imenso, tão belo e tão frágil. Os 35 minutos até o local foram suficientes pra bichinha sair de rolê. Que encalhar, que nada!
O vento era nordeste. Subimos na guarita do bombeiro, abandonada, bem suja, mas com vista panorâmica. Não sentia mais nem frio nem fome. Nem minhas orelhas, que congelaram por duas horas. Bah! Com a lente 400 mm, enxerguei até as reentrâncias de uma rocha a sei lá quantos metros, muitos, de distância. E ganhei um parceiro! Depois do expediente, chopp no Mercado Público, com o qual eu ansiava havia tempos. E com parceiros de trampo, o que foi ótimo. São pessoas muito bacanas, mas, na correria dos dias, passam batido. Não pode, tem que rolar uma integração.
Balão da baleia, mas ganhei muito mais à sua procura. O importante não é felicidade, mas a busca dela.

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