28 de agosto de 2006

O frio e o calor

Sentada em frente ao desembarque de passageiros das linhas integradas, num banco da plataforma B, olhando ônibus pararem descarregando anônimos e seguindo viagem. Um senhor de uns 60 anos assovia uma alegre música de carnaval, constrastando com o vento gélido invernal e pessoas apressadas, encolhidas. Seguro a primeira edição do hora, saída do forno, por 25 centavos, chute na canela da concorrência. Desleal. Lançado pela mesma empresa que comprou recentemente a notícia, como se bom jornalismo pudesse ser "anexado" ao grupo. Não sinto minhas orelhas e minha barriga dói há três dias. Maldita lactase que me falta. Quero ir pra casa, mas permaneço ali, olhando, procurando. E nada. Penso que me esqueceram ou que houve um desencontro. Quase me levanto e pego o segundo dos três coletivos que me conduzem pra casa. Até que vejo o corredor sudoeste, talvez o décimo desde o momento que cheguei. Esqueço tudo e nada mais vejo, além de uma blusa familiar e um gorro de tecneiro. Quente, bem quente.

23 de agosto de 2006

Balão da baleia

Esperei a fome bater e meu chefe de reportagem voltar para descer e almoçar. Segurei até o último ronco. Agora vai. Nada! Baleia prestes a encalhar nos Ingleses, vai lá. Coitado do fotógrafo tava na mesma situação. Fomos os dois de barriga vazia, mas tudo bem. Nunca vi uma baleia, esperava ansiosamente o encontro, a magnanimidade daquele ser, tão imenso, tão belo e tão frágil. Os 35 minutos até o local foram suficientes pra bichinha sair de rolê. Que encalhar, que nada!
O vento era nordeste. Subimos na guarita do bombeiro, abandonada, bem suja, mas com vista panorâmica. Não sentia mais nem frio nem fome. Nem minhas orelhas, que congelaram por duas horas. Bah! Com a lente 400 mm, enxerguei até as reentrâncias de uma rocha a sei lá quantos metros, muitos, de distância. E ganhei um parceiro! Depois do expediente, chopp no Mercado Público, com o qual eu ansiava havia tempos. E com parceiros de trampo, o que foi ótimo. São pessoas muito bacanas, mas, na correria dos dias, passam batido. Não pode, tem que rolar uma integração.

Balão da baleia, mas ganhei muito mais à sua procura. O importante não é felicidade, mas a busca dela.

21 de agosto de 2006

Ministro e alagamentos

Sol e frio, de gelar e rachar os lábios.
Manhã de vento sul em dia bom de viver, segundo a senadora.
O ministro é galã, novo, economista?
Mas não é da Educação? Estranho...
Gracejos de colegas, prazer, até a próxima.
A volta para casa é longa
Mas divertida e proveitosa
Testemunha do cotidiano
Três lagoas na pista
É o mar retomando seu lugar
Comadres desconhecidas
Risadas pra distrair
E a fila prosseguia
Pra ganhar asfalto novo